Março 4, 2019

Os robôs acabarão com nossos empregos?

Muito temos ouvido falar das inovações advindas da inteligência artificial, sendo que um dos efeitos que mais preocupa a maioria é a diminuição dos empregos. O que você acha? Esta é uma preocupação coerente?

A preocupação em si é coerente, afinal de contas quase todos dependem de seus trabalhos para sobreviver, e na hipótese desses não existirem mais, o medo do incerto é compreensível. Mas para termos este medo precisamos então pensar que de fato a quantidade de postos de trabalho irá diminuir em função da inteligência artificial, e nisto eu não acredito.

robo trabalhando

Estamos passando pelo que muitos chamam da 4ª revolução industrial, impulsionada pela nova realidade imposta pela internet e smartphones, e mais recentemente pelo Big Data. E dentro desta revolução estamos vivendo o momento em que a inteligência artificial começa a mostrar sua participação, que tudo indica será tão importante quanto a da internet.

E na prática, como a IA tem afetado nossos empregos? Muitos podem ouvir falar destas novas tecnologias apenas em manchetes e imaginar cenários parecidos com os apresentados em filmes, onde robôs tomam conta da sociedade, realizando tarefas simples e complexas, sobrando pouco espaço para nosso “lento e ineficiente” trabalho. Mas com certeza este pensamento não se enquadra em nada do que temos visto.

Primeiramente, precisamos entender que esta revolução se trata muito mais de software do que de hardware. Há muitos anos que as grandes linhas de produção já foram dominadas por robôs, os quais executam tarefas repetitivas com precisão e agilidade, e apesar de ainda serem possíveis melhorias nestes processos mecânicos, não é nisto que está o foco da IA. Ela se preocupa justamente com o que até pouco tempo atrás computador algum poderia executar: os projetos, análises de melhorias nos processos, análises comportamentais (apenas citando alguns exemplos). Ou seja, o impacto não acontecerá sobre enormes linhas de produção como no passado, mas quem sentirá este efeito são as equipes. É bem possível que equipes de 15 ou 20 pessoas passem para 5 ou 10, e inclusive algumas poderão ser extintas.

É evidente também que algumas profissões deixarão de existir. Mas isso não é culpa da IA. O mercado de trabalho está em constante evolução, desde sempre, a única diferença que temos hoje é a velocidade. Enquanto há alguns anos as mudanças levavam décadas para acontecer, hoje em alguns anos o cenário já pode ser outro, e é provável que poucos meses já sejam suficientes.

O fato é que a tal “estabilidade” nada mais é que uma ilusão, e quem se apega a ela corre sério risco de enfrentar problemas. Equipes diminuirão e outras aumentarão, profissões serão extintas e outras surgirão. Mas para aqueles que entendem que a realidade é dinâmica e acompanham as mudanças, o perigo é muito menor. Estes perceberão o momento em que o seu dia-a-dia começará a ser afetado (é provável que isto já esteja acontecendo), e também verão quando suas profissões estiverem em risco, podendo assim se adaptar e inclusive aproveitar estas mudanças para seu crescimento profissional.